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O AGENTE SECRETO

  • 7 de nov. de 2025
  • 3 min de leitura

TÍTULO ORIGINAL: O Agente Secreto

ESTÚDIO/DISTRIBUIÇÃO: Vitrine Filmes/Canal+

DIREÇÃO: Kleber Mendonça Filho

GÊNERO: Drama/Thriller Policial

DURAÇÃO: 2h41min

ONDE ASSISTIR: Cinemas – estreia em 6 de novembro de 2025



Produção escolhida pelo Brasil para a disputa da indicação ao prêmio de Melhor Filme Internacional na próxima edição do Oscar, O Agente Secreto traz Wagner Moura em uma atuação extraordinária, em um longa que mescla suspense, drama, melancolia, thriller policial e até comédia.




A trama se passa no Brasil de 1977, quando Marcelo (Moura) chega ao Recife para se reaproximar do filho, e, ao lado dele, recomeçar sua vida, após acontecimentos que vão sendo apresentados ao longo da projeção, quando sabemos que ele era um professor universitário, chefe de departamento, e que entra em rota de colisão com um magnata que o jura de morte, tudo isso no auge da ditadura militar.


A direção marcante de Kleber Mendonça Filho presenteia o espectador com um Recife histórico, muito bem retratado, com uma caracterização de época imersiva e muito bem-feita, desde a fotografia, os cenários, os carros, até o figurino; enfim, Anos 70 na veia! O roteiro, também assinado por Mendonça Filho, é muito competente em transformar a cidade em um personagem do longa, de maneira a interagir de forma orgânica com as pessoas que cruzam o caminho de Marcelo, em especial os moradores do prédio onde ele se refugia ao chegar à capital pernambucana.


E aí, não tem como ser diferente, um parêntese precisa ser aberto para destacar a Dona Sebastiana, personagem da excepcional Tânia Maria, de 78 anos, uma atriz do Rio Grande do Norte que simplesmente rouba todas as cenas em que aparece. Que escolha, que figura cativante, e que importância ela tem na história! Grande acerto!


A ambientação do filme, para muitos, vai lembrar, ainda que de longe, o ótimo Bacurau, e a própria trama traz um quê da produção de 2019, seja em sua violência gráfica, seja em seus tons pastéis, seja em suas figuras que flertam com o fantástico, e que são conhecidas do folclore e das lendas urbanas tipicamente pernambucanas. Tenho que dizer, ainda, que outra comparação que certamente será feita traz Ainda Estou Aqui para a discussão, por termos, em ambas produções, a ditadura militar como pano de fundo. No entanto, e vamos tirar o sofá da sala, como de costume, um filme não tem absolutamente nada a ver com o outro!


E isso se deve ao fato de que o período mais sombrio e triste da história brasileira é, infelizmente, bastante amplo em suas formas de ser explorado, e aqui temos a ditadura mais como ambiente, propriamente dito, do que como a principal antagonista, como vimos no longa protagonizado por Fernanda Torres.

Elenco de apoio de primeira, trilha sonora marcante e característica, mais de duas horas e meia que passam despercebida e rapidamente, em uma história cativante.




Por tudo isto, O Agente Secreto é uma obra bastante coesa, intensa, que mescla diversos gêneros em uma crônica urbana vivida em um estado exceção que traz a todos os envolvidos na trama um ar de medo, apreensão e desespero que chegam ao público, que não conseguirá sair indiferente da sala de cinema ao que assistiu.


Vencedor no Festival de Cannes deste ano das premiações de Melhor Ator, para Wagner Moura, e Melhor Direção, para Kleber Mendonça Filho, O Agente Secreto marca sua trajetória como ele mesmo avisa em sua cartela inicial: “uma grande pirraça”. E que bela pirraça!



Bom filme pra você!



NOTA: 8,5

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