OSCAR 2025: O BRUTALISTA
- 22 de fev. de 2025
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Um dos mais fortes concorrentes nesta edição do Oscar, cuja cerimônia acontece no domingo, dia 2 de março, O Brutalista (The Brutalist, A24, EUA/2024) chegou aos cinemas brasileiros no último dia 20, e com suas 10 indicações, incluindo a de Melhor Filme, se mostra, a meu ver, controverso.

Um arquiteto húngaro e judeu, com grande visão artística, foge da Segunda Guerra Mundial rumo aos Estados Unidos, no ano de 1947, sendo obrigado a deixar para trás sua esposa e a sobrinha a qual cuidam. Em meio aos traumas que carrega em virtude do conflito, onde esteve em campos de concentração, inclusive, Lásló Toth, magistralmente interpretado por Adrien Brody, é recebido por um primo, que já na América há algum tempo, se converteu ao catolicismo, mudou de nome, se casou e montou uma loja de móveis.
Desta forma, os dois conseguem um serviço de reforma de uma biblioteca na casa de um milionário excêntrico, cujo ego não cabe em si, e muito bem vivido por Guy Pierce, situação que será o ponto de partida para uma guinada na vida de Toth. Não vou me aprofundar mais na trama, até para não entrar no campo dos spoilers, mas devo dizer que a partir deste ponto o longa traz uma abordagem profunda do que a ambição, a covardia, as dores de vidas que se entrelaçam, tudo isso tendo como pano de fundo a obra no estilo arquitetônico brutalista, que usa o concreto como base e inédita nos EUA naquela época – e de onde vem o título da produção – chega a chocar em alguns momentos.
A produção tem a direção de Brady Corbet, que, pra mim, exagerou um pouco em alguns pontos, em especial na duração do longa – são quase 3 horas e meia de filme e que, no cinema, tem até um intervalo (necessário!), e que poderiam, tranquilamente, serem reduzidas em pelos menos uns 40 minutos. Ao mesmo tempo, ele é competente em questões como a fotografia, a trilha sonora, o figurino, o design de produção e, em especial, nas atuações do elenco, que conta ainda com Felicity Jones, no papel de Erzsébet, esposa de Toth, em atuação primorosa.
O Brutalista não é um filme que vá agradar a qualquer espectador, pelo contrário, pode até incomodar, por tocar em temas que vão desde o peso que o passado pode ter na vida das pessoas, até fatos que podem potencializar traumas aparentemente adormecidos.
Vale mais pela interpretação dos atores, pela discussão que o longa traz, mas que deve ser apreciado com parcimônia, caso você não seja um entusiasta deste tipo de obra. Como já dito, o filme está em cartaz nos cinemas.


