OSCAR 2026 - SIRÂT
- há 6 dias
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TÍTULO ORIGINAL: Sirât
ESTÚDIO / DISTRIBUIÇÃO: Neon
DIREÇÃO: Oliver Laxe
ELENCO: Sergi López, Bruno Núñez Arjona, Richard Bellamy
GÊNERO: Drama
DURAÇÃO: 1h54min
ONDE ASSISTIR: Nos cinemas – estreia em 26 de fevereiro de 2026
Produção espanhola que fez carreira poderosa em diversos festivais mundo afora, no ano passado, tendo sido grande destaque em Cannes, inclusive, Sirât ficou mais conhecido aqui no Brasil depois que seu diretor, Oliver Laxe, resolveu criticar o público brasileiro pelo engajamento e defesa de O Agente Secreto, não por acaso seu concorrente na disputa pelo Oscar de Melhor Filme Internacional. No entanto, deixando de lado a picuinha, temos aqui um filme chocante, e que incomoda. E bom, muito bom, eu diria.

A trama mostra um pai em busca de sua filha, ao lado de seu caçula, em uma festa rave clandestina, no meio de um deserto. Em dado momento, militares aparecem e interrompem a festa, e notícias ouvidas de forma intermitente dão conta de que algo de muito ruim aconteceu no mundo, que mergulha em um caos – uma Terceira Guerra Mundial chega a ser mencionada – e, para fugir do cerco militar, Luiz e seu filho, Esteban, se juntam a um grupo de nômades e partem em um típico road movie na busca por seus objetivos. Neste percurso acidentado, sinuoso e extremamente perigoso, o grupo logo passa a enfrentar desafios cada vez difíceis, o que faz com que percebam que, acima de tudo, agora eles lutam mesmo é para sobreviver em um cenário cada vez mais hostil. E é aqui, em particular, que o falastrão diretor mostra sua competência.
Com uma fotografia muito bem executada, que traz toda a crueldade de um deserto isolado, que ora ou outra é substituído por paisagens rochosas, estradas estreitas e íngremes, o diretor cria, aos poucos, um clima de angústia, choque e desespero, não só aos personagens em tela como, e principalmente, no espectador. A parte do campo minado, por exemplo, é de tirar o fôlego!
Aliado a isso, temos outro componente que tem vida própria na produção: o som. O trabalho de edição e mixagem sonora no longa é digno de aplausos, com destaque para o vento, e suas diversas intensidades, as fortes batidas da música eletrônica que embala as festas rave, os estrondos impactantes que rompem minutos intermináveis de silêncio profundo, enfim, tudo muito bem-casado com o roteiro, por sua vez, muito bem amarrado e coeso, e que trazem uma experiência poucas vezes vista.
Por tudo isso, Sirât surpreende, impacta, choca em vários momentos, e traz uma sensação ao espectador de incômodo, de tristeza, de inconformismo até. E isso é ótimo!
O filme está em cartaz nos cinemas.
NOTA: 8,5


