OSCAR 2026 - SONHOS DE TREM
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TÍTULO ORIGINAL: Train Dreams
ESTÚDIO / DISTRIBUIÇÃO: Black Bear / Netflix
DIREÇÃO: Clint Bentley
ELENCO: Joel Edgerton, Felicity Jones, Kerry Condon, William H. Macy
GÊNERO: Drama
DURAÇÃO: 1h43min
ONDE ASSISTIR: Netflix
Produção que teve grande repercussão em festivais, mas que não ostentou uma carreira muito significativa nos cinemas, foi bem curta, na verdade, só mesmo para garantir a possibilidade de indicações às grandes premiações, Sonhos de Trem ganhou distribuição global pela Netflix e, assim, tornou-se a aposta da gigante do streaming no Oscar 2026, onde concorre a Melhor Filme. Para nós, brasileiros, um adendo e tanto: a extraordinária fotografia do tupiniquim Adolpho Veloso, também na disputa pela estatueta da categoria.

Acompanhamos no longa a história de Robert Grainier (Edgerton), um lenhador do início do século XX, e que também atua como madeireiro, o que o faz viajar por longas temporadas de trabalho, em construções de pontes, ferrovias e etc. Órfão dos pais ainda criança, não sabemos muito sobre sua origem e, assim, vemos seu desenvolvimento profissional e pessoal, sem muitas emoções, até que ele conhece Gladys (Jones), com quem logo se casa, graças a um grande amor que floresce entre ambos. Como fruto desse amor, temos a pequenina Kate, filhinha dos dois, e que ocupa os longos dias de sua mãe enquanto seu pai está fora, trabalhando. Tudo muda, entretanto, quando uma grande tragédia acontece.
A condução dada pelo diretor Bentley ao roteiro adaptado do livro homônimo, escrito por Denis Johnson, já aviso, é lenta, para alguns, bastante lenta, eu diria. Temos aqui um representante dos mais fiéis àquele tipo de filme contemplativo, que apresenta cuidadosamente cada um de seus personagens, os cenários onde estão inseridos, as situações em que se envolvem, enfim, sem pressa alguma. Não espere aqui cenas de ação, explosões, tiros, balas e bombas. Não. Temos aqui, sim, muita natureza, seus sons, suas deslumbrantes paisagens, e seres humanos. E, por consequência, a melancolia, nos seus mais vários ângulos.
Para ilustrar essas vidas, que vão passando e passando, através do tempo, temos que abrir um parêntese dos mais importantes. A fotografia deslumbrante do brasileiro Adolpho Veloso. Formado em cinema pela Fundação Armando Alvares Penteado, paulistano de nascimento, Veloso iniciou sia carreira ainda no Brasil, em curtas-metragens. Mas em Sonhos de Trem sua técnica chamou muito a atenção do mercado internacional, ao utilizar basicamente iluminação natural em quase que a totalidade das cenas, de forma minimalista e de valorização da natureza poucas vezes vista. Não por acaso é o grande favorito na categoria, onde está indicado nesta edição do Oscar. Trabalho belíssimo. Outro ponto importante que merece destaque é a ótima atuação do protagonista, Joel Edgerton, com uma performance segura, adaptada a cada um dos momentos de seu personagem, onde especialmente chama a atenção seu olhar. Fique atento a isso.
Por tudo isso, Sonhos de Trem é uma obra que retrata a simplicidade de uma vida, moldada pela correção de atos, e que, mesmo assim, é abalada e, porque não dizer, destruída, devido a acontecimentos sobre os quais não se tem poder. Produção melancólica, contemplativa, profunda e belíssima, não vai agradar a todos, mas reflete como, mesmo na maior das simplicidades de um ser humano, a dor e a tristeza podem conduzir ações e nortear toda uma existência, sem que, sequer, se perceba.
Sonhos de Trem está disponível no catálogo da Netflix.
NOTA: 8,5


