OSCAR 2026 - VALOR SENTIMENTAL
- 21 de fev.
- 3 min de leitura
TÍTULO ORIGINAL: Sentimental Value
ESTÚDIO/DISTRIBUIÇÃO: Canal + / NEON
DIREÇÃO: Joachim Trier
ELENCO: Stellan Skarsgard, Renate Reinsve, Elle Fanning, Inga Ibsdotter Lilleaas
GÊNERO: Drama
DURAÇÃO: 2h13min
ONDE ASSISTIR: Mubi
Sim, eu sei, ainda falta uma crítica para os indicados a Melhor Animação no Oscar 2026, Arco, que por ora não está disponível no Brasil. Quando estiver, falaremos sobre ele. Enquanto isso, nossa maratona precisa prosseguir, e daremos início, assim, às análises dos indicados a Melhor Filme Internacional, categoria que muito nos interessa, por razões óbvias. E, neste ponto, este Valor Sentimental é uma séria ameaça à estatueta brasileira de O Agente Secreto, fique atento a ele, portanto.

A trama mostra a difícil relação do diretor de cinema Gustav Borg (Skarsgard) com suas duas filhas, em especial a mais velha, Nora (Reinsve), devido à distância que se criou entre eles por décadas, após o divórcio com a mãe das meninas. Quando da morte da ex-esposa, ele aparece no velório como se nada tivesse acontecido, o que reabre feridas silenciosas e doloridas. Nora, uma atriz de teatro que carrega esse trauma em sua vida pessoal e profissional, neste ínterim, é convidada por seu pai para ser a protagonista de seu novo filme, o que ela recusa, abrindo espaço para a contratação da famosa atriz americana Rachel Kemp (Fanning) para o papel. O filme de Borg, que seria filmado na casa onde as meninas foram criadas, e que está na família há gerações, é uma produção quase que autobiográfica do diretor, o que acaba por acender ainda mais as fagulhas da conturbada relação que tem com suas filhas.
O diretor Joachim Trier, conhecido por A Pior Pessoa do Mundo, é extremamente competente em entrelaçar a questão do “filme dentro do filme”, e nos apresenta uma narrativa bastante delicada, que aborda a questão das relações familiares, nem sempre harmoniosas, e os traumas e consequências que elas podem gerar em nossas vidas, o que, inevitavelmente, alcança o espectador, de forma mais ou menos forte.
Para isso, conta com um roteiro, onde é coautor, muito bem amarrado, e um elenco de primeira linha para conduzi-lo, com destaque para Stellan Skarsgard, conhecido rosto de várias produções de Hollywood, e que aqui nos presenteia com seu melhor trabalho, com um pai que se mostra arrependido, sim, mas que tem imensa dificuldade em demonstrar esse sentimento, o que, num primeiro momento, se mostra como um obstáculo a mais nessa difícil relação.
A produção norueguesa é, sim, de encher os olhos, tanto por sua profundidade, quanto, literalmente, de lágrimas, pois os momentos de emoção acontecem, não de maneira abundante, pelo contrário, mas de forma sutil, muitas vezes através do silêncio entre os personagens, onde apenas olhares, gestos, sensações, dizem mais do que qualquer diálogo.
Valor Sentimental é um filme belíssimo, forte, com atuações marcantes de seu elenco, uma direção muito bem conduzida e que, sim, justifica toda a aclamação que teve em festivais mundo afora, dentre eles Cannes e Berlim, e as indicações que recebeu, não só a de Melhor Filme Internacional, como a principal, de Melhor Filme, sendo, como se vê, uma grande e verdadeira ameaça ao brasileiro O Agente Secreto. E, imparcialmente falando, caso vença, não seria injusto, pois temos aqui uma das produções mais belas dos últimos tempos.
O longa ainda encontra-se em cartaz em alguns poucos cinemas no Brasil, e já está disponível no streaming, mais precisamente no catálogo da Mubi.
NOTA: 9,0


