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OSCAR 2026 - A VOZ DE HIND RAJAB

  • há 4 dias
  • 3 min de leitura

TÍTULO ORIGINAL: The Voice of Hind Rajab

ESTÚDIO / DISTRIBUIÇÃO: Synapse Distribution

DIREÇÃO: Kaouther Ben Hania

ELENCO: Amer Hlehel, Clara Khoury, Motaz Malhees

GÊNERO: Docudrama

DURAÇÃO: 1h29min

ONDE ASSISTIR: Prime Video – aluguel ou compra




Chegamos, neste ponto, à última crítica dos indicados ao Oscar de Melhor Filme Internacional – vale lembrar que O Agente Secreto já tem resenha publicada no site (acesse aqui) – e, confesso, essa lista não poderia ter terminado de forma mais impactante e devastadora, em especial se levarmos em consideração o momento geopolítico que o planeta vive atualmente. Que filme obrigatório e necessário é A Voz de Hind Rajab, longa tunisiano dirigido brilhantemente por Ben Hania!




A trama mostra a tragédia que se abateu sobre a família palestina Hamada que, durante os ataques de Israel à Faixa de Gaza em janeiro de 2024, tem seu veículo estraçalhado por mais de 350 tiros. Uma das duas sobreviventes consegue ligar para um tio que mora na Alemanha que, por sua vez, contata a Sociedade do Crescente Vermelho Palestino, uma organização humanitária que atua em regiões como a Cisjordânia e, obviamente, Gaza, para tentar salvá-las. Quando Omar, um dos funcionários da entidade, consegue ligar para o celular da menina, quem atende é Hind Rajab, uma garotinha de apenas seis anos, que diz, apavorada, que sua prima, a que tinha ligado para o tio, havia morrido, assim como todos os outros ocupantes do veículo, e apenas ela estava viva, tudo isso ao som de tiros ao fundo, em profusão. A partir daí, passamos a acompanhar a luta desesperada da equipe do Crescente Vermelho em tentar organizar uma operação de resgate, em meio aos incessantes e brutais ataques do exército israelense.


E é neste ponto que a produção amarra o espectador de uma forma a torná-lo cúmplice de uma das maiores crises humanitárias da história, e de uma maneira corajosa, e muito forte: a voz da menina que ouvimos ao telefone em contato com os atendentes da organização é mesmo de Rajab, retiradas diretamente dos registros das gravações dos telefonemas feitos naquele dia, durante mais de três horas. E isso é particularmente devastador.


O desespero da criança implorando por salvamento, aliada à impotência da equipe presa em um escritório, tentando de todas as formas montar a operação de resgaste, é de dilacerar o coração do mais frio e indiferente espectador. Até porque tal operação precisava ser construída em conjunto com equipes do Ministério da Saúde palestino, da Cruz Vermelha, e do próprio exército israelense, o que era extremamente difícil, uma vez que vários outros socorristas da entidade já haviam perdido a vida em outras empreitadas desta natureza.


A parte técnica do longa chama a atenção pelo minimalismo, em especial de cenários, uma vez que, basicamente, ficamos praticamente todo o tempo dentro da sede do Crescente Vermelho, o que não é ruim, pelo contrário, uma vez que essa escolha da diretora traz ao público a sensação de aprisionamento, de sufoco mesmo, que qualquer pessoa passaria ao estar em uma situação desse tipo. Por outro lado, a parte sonora é muito bem produzida, em especial pela ótima mixagem em cima das gravações originais das conversas telefônicas realizadas durante o triste episódio, que as deixam claras e bem audíveis, sempre interrompidas por violentas explosões e rajadas de tiros cada vez mais ameaçadoras à Hind Rajab.


Não vou entrar no mérito aqui sobre o que acontece ou deixa de acontecer no fim do filme. Por se tratar de uma história real, e bastante recente, é fácil pra você, caro leitor, pesquisar e descobrir por si só, caso já não saiba. O que posso dizer é que A Voz de Hind Rajab é uma das produções mais importantes dos últimos tempos, extremamente necessária em tempos de invasões unilaterais, intolerância, uso da força como argumento de supremacia, e por que não, de covardia, que vivemos atualmente.




Caso você não consiga assistir ao filme até a cerimônia do Oscar, busque pela produção mesmo após o dia 15, pois, como eu disse, ela é, simplesmente, obrigatória!



NOTA: 9,0


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