A MORTE DE ROBIN HOOD
Longa estrelado por Hugh Jackman desconstrói imagem do lendário personagem, em uma obra melancólica e de redenção
Produção apresentada a investidores na Área de Mercado, em 2024, no Festival de Cannes, e que só agora ganha sua janela dentro do circuito comercial, A Morte de Robin Hood (The Death of Robin Hood, A24, EUA/2024) traz uma versão totalmente diferente daquela que estamos acostumados a ver em torno da lenda do dito herói, que roubava dos ricos para dar aos pobres, em uma obra de desconstrução e melancolia.

Em 1247, um Robin Hood, interpretado com veracidade e entrega por Hugh Jackman, já velho e solitário, renega o mito de herói criado em torno de suas ações ao longo da vida, e que carrega o peso das centenas, talvez milhares, de mortes pelas quais foi responsável. Neste contexto, ele é gravemente ferido, e fica sob os cuidados de Soeur Brigid (Jodie Comer), uma mulher misteriosa que traz consigo um passado de Robin que o faz encarar o monstro que se tornou, sob sua ótica, em busca de uma improvável redenção.
A direção e o roteiro são assinados por Michael Sarnoski, que é muito competente em trazer esta inesperada e até desconfortável versão do personagem, em uma montagem que divide a narrativa em duas partes bastante distintas, porém intrinsecamente interligadas, com uma fotografia belíssima, em cenas que não têm vergonha de usar e abusar da violência gráfica para mostrar o que quer ao público.
A produção flerta com um quê de Logan, estrelado pelo próprio Jackman, mas com um tom de melancolia muito maior, que carrega o espectador para dentro da dor de Robin, ao mesmo tempo em que não deixa de lembrar tudo aquilo que traz peso a esse já moribundo “herói”.
A Morte de Robin Hood é uma produção diferente, com um ritmo lento e contemplativo, que traz reflexões sobre decisões que podemos tomar ao longo da vida e que, invariavelmente, cobrarão seu preço, mais cedo ou mais tarde. E nisso ele é bastante competente.
O longa entrou em cartaz nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 13 de agosto de 2026.
NOTA: 7,0


