SUPERGIRL
Longa solo da prima de Kal-El traz versão adulta e amargurada da heroína em busca de redenção
Após as boas estreia e recepção do novo Universo DC, ou DCU, sob a tutela de James Gunn, ocorrida ano passado com Superman, já nas cenas pós-créditos do filme fomos apresentados, ainda que de maneira rápida, à sua querida e aparentemente controversa prima, Kara Zor-El, ou, como a conhecemos, Supergirl (Warner Bros./DC Studios, EUA/2026).

A verdadeira dona do endiabrado e adorável Krypto, o Supercão, que roubou a cena no filme do Homem de Aço, ganha seu próprio longa-metragem solo, com Milly Alcock no papel-título, que mistura ação, aventura, efeitos especiais de primeira, em um clima que lembra muito Guardiões da Galáxia, com uma pitada de Star Wars, cujas referências são propositais, inclusive.
A trama mostra Kara se “esbaldando” através de diversos planetas, de preferência regidos por um sol vermelho, de modo que ela possa sofrer os efeitos de bebidas alcoólicas e outras substâncias, que, como sabemos, não causam efeitos nos kryptonianos, quando estes estão sob os raios solares amarelos e com seus poderes em pleno funcionamento, para comemorar seu aniversário de 23 anos, uma vez que não consegue se adaptar à vida na Terra.
Obviamente, este mote se revela bem mais profundo do que inicialmente possa parecer, uma vez que ele se contrapõe diretamente à realidade de seu primo, criado com todo amor e carinho, desde bebê, pelos Kent, aqui em nosso planeta, onde cresceu sob os costumes terráqueos. Kara, por sua vez, nasceu após a destruição de Krypton, mas viu sua família e seu lar, a cidade flutuante de Argo, ser consumida quando ela já era quase adulta. Essa dicotomia permeia todo o comportamento revoltado da protagonista, quando esta se depara com a jovem Ruthye, que teve seus pais e irmão brutalmente assassinados por um mercenário chamado Krem, a quem jura vingança. Os caminhos das duas se cruzam quando Krypto é envenenado por Krem, e, cada uma com seu motivo, partem juntas à caça do vilão.
O elenco de Supergirl foi muito bem escolhido pelo diretor Craig Gillespie, conhecido por trazer à vida Cruella, na Disney. Milly Alcock é um acerto gigantesco como Kara Zor-El, em especial nessa versão mais amargurada e sofrida da personagem, baseada na HQ Supergirl – Mulher do Amanhã, trazendo uma humanidade e uma fraqueza que ajudam a conectar o público à poderosa heroína, que, quando está com seu famoso traje e em ação, pode afastar quem não é fã ou não está habituado a este universo. Ela está excepcional! Ao mesmo tempo, a menina Eve Ridley, intérprete de Ruthye, carrega sua dor e seus motivos para buscar vingança de maneira convincente, forte, mesmo com sua pouca idade. Atriz desconhecida do grande público, é um nome para ficarmos atentos. David Corenswet tem uma pequena participação, com seu carismático Superman, fazendo a importante conexão de Supergirl com o restante do universo em que está inserido. E chegamos nele. O ex-Aquaman. Aquele que sempre quis este papel. Sim, estamos falando de Jason Momoa e seu Lobo, o pirata intergaláctico completamente pirado dos quadrinhos. De fato, esse personagem não poderia ser interpretado por outro ator. Lobo está muito bem representado na grande tela, tanto fisicamente, com uma caracterização muito fiel, quanto em sua personalidade sem escrúpulos, bruta, violenta e, ao mesmo tempo, convicta de sua missão sempre recompensada por pomposas somas financeiras. Ansioso por mais participações do personagem nas próximas produções. A trilha sonora acompanha a vibe nonsense do longa, com direito atá à Garota de Ipanema, em dado momento. Inesperado e bem-vindo!
É bastante interessante notar, ao término da projeção de Supergirl, como este novo universo da DC Comics está firme em seu propósito de trazer cada um de seus personagens sempre com muito respeito à sua essência, totalmente diferentes entre si, mesmo que pertencentes a um mesmo mundo, a um mesmo contexto. Temos um Superman alegre e esperançoso, um Comando das Criaturas completamente tresloucado, a turma do Pacificador, sem noção ao extremo, e agora uma Supergirl sofrida, porém nobre e imponente. E ainda teremos, este ano, um Cara-de-Barro, inimigo de segundo escalão do Batman, que terá seu filme, classificado como um “terror dos bons”. Rumos bastante promissores, devo dizer.
Voltando à Supergirl, é interessante que o espectador tenha assistido Superman, pois este serve como base deste universo, ainda que não seja obrigatório. Mas o filme de Kara Zor-El funciona bem sozinho, uma vez que o Superman não é exatamente uma figura desconhecida, não é mesmo?
Como utilidade pública, Supergirl quebra uma tradição dos filmes de super-heróis, instituída pela Marvel, e que vem sendo seguida por diversas outras produções, mesmo que de outro gênero: não temos cenas extras, seja durante ou pós-créditos. Portanto, quando a ficha técnica da produção começar a subir na tela, você pode sair da sala. Até porque, posso garantir, você estará já bastante satisfeito com o que acabou de ver.
O longa entra em cartaz em todo o país nesta quinta-feira, dia 25 de junho. Bom filme!
NOTA: 8,5


