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HOMEM-ARANHA: UM NOVO DIA

3 de ago.
3 min de leitura

Quarto longa solo do Cabeça de Teia no Universo da Marvel traz um clima mais denso e soturno que seus antecessores e prepara o terreno para o futuro



Depois de uma sucessão de fracassos, tanto da Marvel quanto da DC, nos cinemas e nas séries, nos últimos tempos, muitos já cravavam como terminada a era dos filmes de super-heróis, iniciada, de forma mais firme nesta nova leva, com X-Men, lá no já longínquo ano de 2000. Mal sabiam, estes desesperançosos mancebos, no entanto, que o gênero ainda tem muito a oferecer, desde que as histórias sejam contadas da maneira correta. E é aí que entra este Homem-Aranha: Um Novo Dia (Spider-Man: Brand New Day, Sony Columbia/Marvel Studios, EUA/2026), quarto longa estrelado por Tom Holland dentro do Universo Cinematográfico Marvel.



E é muito satisfatório perceber, nesta produção, como a continuidade de um universo que teve seu início em 2008, se bem executada, faz toda a diferença quando ela é respeitada, ao contrário do vínhamos assistindo. Isto porquê o amadurecimento de Holland e seu Peter Parker, mostrado aqui, se compararmos ao menino desengonçado e inseguro que vivia à sombra de Tony Stark em De Volta Pra Casa, passa exatamente essa sensação de tempo, de eventos que deixam marca, de, portanto, continuidade.


A trama mostra como Peter, completamente sozinho, lida com as consequências dos fatos ocorridos em Sem Volta Pra Casa, quando, para salvar a realidade espaço-temporal, teve que concordar que, através de um feitiço do Doutor Estranho, todos no mundo o esquecessem, o que inclui sem melhor amigo, Ned, e, claro, seu grande amor, MJ. Assim, vemos um Homem-Aranha obcecado no combate ao crime, dedicando inteiramente sua nova vida às missões do herói, deixando de lado, quase que completamente, o sofrido Parker. Tudo ganha uma nova proporção, no entanto, quando um inimigo misterioso, com poderes psíquicos, ataca de forma seguida a sede do chamado Controle de Danos, colocando o Aracnídeo em seu caminho.


Entrando na parte técnica do filme, é notável o trabalho realizado pelo diretor Destin Daniel Cretton, o mesmo de Shang Chi e a Lenda dos Dez Anéis, no comando do Homem-Aranha. As tomadas, as cenas de ação, a movimentação do herói entre os arranha-céus de Nova York, as cenas de luta, enfim, tudo muito bem coreografado, com pontos de vista tirados diretamente dos fantásticos jogos da Imsoniac para PlayStation, tudo aliado ao quão à vontade Tom Holland está no papel, tudo funcionando de forma orgânica, e que fazem o espectador se segurar no assento do cinema.


Os efeitos especiais, a trilha sonora e a montagem complementam de maneira bastante natural o bom trabalho realizado pelo diretor e seu elenco, que, aliás, é de se tirar o chapéu. Não só pela volta de alguns heróis que já vimos em outros momentos do UCM, mas, em especial, por aqueles que aparecem pela primeira vez, como Sadie Sink, conhecida pelo papel de Maxine, em Stranger Things e que, se você prestou atenção aos trailers, sabe que ela, como poderei dizer, chega chegando. Da mesma forma, fique atento à pequena, porém importantíssima, participação de Mark Ruffalo, e, principalmente, a de seu alter ego, o Hulk.


Pra não dizer que tudo são flores em Homem-Aranha: Um Novo Dia, aqueles fãs mais fervorosos, que vêm acompanhando as últimas produções da Marvel, tanto no cinema quanto nas séries, pode estranhar a versão mais “lightdo Justiceiro de Jon Bernthal, que, para poder fazer com que o filme tivesse a classificação PG-13 nos Estados Unidos, destoa daquilo que vimos recentemente no especial Justiceiro: Uma Última Morte, do Disney+. Compreende-se, mas ficou estranho.


Como, a partir de agora, caso eu continuasse, teria que entrar no campo dos spoilers, vou parando por aqui. Apenas com a ressalva adicional para que você fique até o final dos créditos, de todos eles, para uma cena extra que liga a produção com o futuro não muito distante do Universo Marvel, e que tem o Destino já traçado, se é que me fiz entender.



Por fim, devo dizer que, para um melhor aproveitamento da história, se faz necessário que o espectador conheça minimamente o UCM, ou seja, tenha assistido a algumas produções anteriores, pois alguns personagens que aparecem aqui não são “explicados”, ou seja, o roteiro pressupõe que você sabe quem são. Portanto, é importante assistir aos filmes anteriores do Aranha, além de Viúva Negra, Thunderbolts*, Vingadores: Ultimato e a série do Justiceiro, pelo menos.


Grande filme, grande elenco, grande direção, parte técnica impecável, um roteiro mais soturno e denso, mais adulto, que renova o personagem dentro deste universo e abre portas para um futuro bastante promissor.



NOTA: 9,0


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