PRESSÃO
Como um duelo entre dois meteorologistas quase mudou os rumos da Segunda Guerra Mundial
Muito provavelmente você já deve ter se deparado com inúmeras produções, sejam em séries, filmes ou livros, sobre a famosa invasão aliada da Normandia, na França, em 1944, e que deu início à derrocada do Eixo na Segunda Guerra Mundial, evento que passou para a história como o Dia D. Desta forma, não teríamos nada de muito novo para apresentar aqui com este Pressão (Pressure, Universal, EUA/2026), você pode estar pensando. Pois lhe aviso, caro leitor, que você está muito enganado.

Baseado em fatos reais e tendo como fonte de seu roteiro a peça homônima, Pressão mostra a decisão quase impossível que o general Dwight Eisenhower teve que tomar durante as 72 horas que antecederam o Dia D, decisão esta pautada nas condições climáticas que estariam atuando sobre a Normandia no dia 5 de junho de 1944, às 6h30, data e horário previamente marcados para a ação. Entretanto, devido ao chamado Exercício Tiger, realizado em 28 de abril do mesmo ano, e que, em razão de falhas de comunicação e da total desinformação sobre o clima, se tornou um desastre, com a morte de centenas de soldados americanos, Eisenhower chamou o renomado meteorologista britânico James Stagg para ter uma segunda e poderosa opinião sobre como estaria o tempo na data e horário programados para o ataque. Segunda opinião, uma vez que o general já contava, e confiava cegamente, em Irving Krick, seu chefe de estudos meteorológicos há anos. Obviamente, as previsões e métodos dos dois climatologistas divergem ao extremo, o que joga a “pressão” sobre a decisão para o general, decisão esta que precisaria ser tomada em questão de horas.
O ponto de vista de Pressão é inovador, mesmo dentro de um cenário, o Dia D, já mostrado à exaustão no cinema. O diretor e corroteirista Anthony Maras é muito competente em tirar o foco da importante data de seu clássico local, as praias de Utah e Omaha, para as apertadas, esfumaçadas e pouco iluminadas salas de previsão, onde Stagg e Krick travam uma tensa e bem construída batalha para, cada um a seu modo, defender seu ponto de vista sobre como estariam as condições do clima no dia 5 de junho. Krick afirmava que o sol brilharia, o que daria condições totais e plenas para o ataque, e Stagg que, por outro lado, defendia que fortes tempestades atingiriam a região neste dia, o que inviabilizava a ação militar. O espectador não escapa dessa tensão, se vendo totalmente, e sem perceber, envolvido no conflito, o que é ótimo.
E isso graças à excepcional e forte atuação de seu elenco, liderado por Brendan Fraser, como Eisenhower, e muito bem embasada nos dois meteorologistas, Andrew Scott (Stagg) e Chris Messina (Krick). Como apoio, temos ainda a sempre ótima Kerry Condon, que interpreta a Capitã Kay Summersby, uma espécie de braço direito do general.
A fotografia da produção chama a atenção, muito bem adaptada e construída ao que a trama se propõe, sendo um dos pontos altos do longa. Da mesma forma, o design de produção segue este esmero, retratando com fidelidade e imersão a época da Segunda Grande Guerra nesta sua passagem tão marcante. Por fim, o som não fica atrás ao apresentar um contraste poderoso entre o silêncio e as conversas em baixo tom e a potência de tiros e bombas durante o ataque – sim, temos um vislumbre bastante generoso do Dia D, quase tão bom quanto o visto em O Resgate do Soldado Ryan, porém bem mais curto.
Por tudo isso, Pressão deve agradar não só aquele público que gosta de filmes de guerra, mas também ao espectador casual, que se identificará com os personagens e conhecerá um lado de uma das passagens mais marcantes da história da humanidade que pouca gente sequer tinha se dado ao fato em relação à sua importância. Bom filme!
Pressão estreou nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, dia 3 de setembro.
NOTA: 8,0


