MESTRES DO UNIVERSO
Cafona, alegre e colorido, produção da Amazon acerta em cheio na nostalgia e traz a Etérnia que sempre sonhamos ver
Falado, comentado, projetado e engavetado por décadas, a ideia e a vontade de um novo filme de He-Man em live action, após a primeira empreitada lá em 1987, com aquele Mestres do Universo estrelado por Dolph Lundgren, percorre os corredores de Hollywood. E foram muitas as idas e vindas. Diversos estúdios se interessavam e, quando tudo parecia certo, desistiam. Até que a Amazon/MGM entrou na parada.

E, após firmar um acordo com a Sony para a distribuição, deu o sinal verde para finalmente vermos, de novo em carne e osso, os queridos e inesquecíveis personagens que assistíamos quando crianças lá nos idos dos saudosos anos 80. E sim, em primeira pessoa, pois me incluo, e muito, nessa turma.
O elenco foi escolhido, o diretor foi selecionado, o roteiro foi escrito e aprovado, as filmagens aconteceram, tudo sem muito alarde, e cercado de uma grande descrença. Até que chegou o momento do primeiro trailer ser apresentado ao mundo. E os números falam por si. São 34 milhões de visualizações só no canal da Sony Brasil até o momento em que este texto é escrito. O impacto da nostalgia foi imediato. O hype disparou. E agora chegamos ao lançamento da produção. Mestres do Universo (Masters of the Universe, Amazon/MGM, EUA/2026) é tudo o que se imaginava, tudo que se pedia e tudo que aquele garotinho de nove, dez anos queria ver no cinema desde sempre, desde que acompanhava as aventuras do herói de Etérnia nos programas Balão Mágico e Xou da Xuxa. Sim, gostei muito do filme.
Entrando na produção em si, Mestres do Universo é deliciosamente cafona, bastante colorido, grandioso em cenários, boas atuações do elenco e conta uma história tipicamente tirada de um desenho animado dos anos 80. Portanto, não espere grandes atuações dignas de Oscar, não espere um roteiro extremamente inspirado ou profundo, não espere efeitos especiais de cair o queixo. Não.
Temos, sim, um design de produção muito bem-feito, muito bem encaixado na trama e naquilo que esperávamos de uma Etérnia muito bem construída. Ao mesmo tempo, os figurinos são muito parecidos com aqueles que tínhamos na memória, e que são muito bem integrados ao mundo em que estão inseridos, exagerados quando têm que ser, minimalistas quando assim têm que ser.
Temos, também, um elenco que mescla rostos conhecidos, como Idris Elba (Mentor), Morena Baccarin (Feiticeira), Camila Mendes (Teela) e Jared Leto (Esqueleto) – é, ele mesmo, e acredite ou não, está ótimo! – com outros que se apresentam ao grande público, como o próprio protagonista, Nicholas Galitzine, que faz um Adam excepcional para o que o roteiro se propõe, contando a origem do herói, como ele ganhou seus poderes e seu amadurecimento para se tornar o campeão de Grayskull.
Obviamente, algumas coisas não são aquilo tudo, com alguns efeitos visuais que parecem ter sido feito às pressas, muitas piadinhas talvez um pouco fora de hora, muitas referências que provavelmente não vão atingir a totalidade do público. Mas dizer que isso estraga a experiência é um exagero, até porque, não esqueçamos, estamos falando de um filme que adapta um desenho animado dos anos 80 que, por sua vez, é baseado numa coleção de bonecos. Então menos, muito menos com seu mal humor.
Mestres do Universo é divertido, leve, tem um ritmo bem parecido com o desenho clássico do personagem e mexe, sim, com a nostalgia de uma maneira bastante certeira. O diretor Travis Night foi muito feliz na construção de seu universo, com destaque para a trilha sonora, recheada de hits da década da animação, o que ajuda no embalo da produção.
Longa descompromissado e que deve ser vista de maneira leve, como se você estivesse assistindo a um desenho no sábado de manhã. Por exemplo: muita gente reclamou que He-Man está “fracote”, e igual ao Adam. Pois é, no desenho o personagem era o mesmo, só mudando o tom da pele e a roupa. Aqui estamos quase que na mesma. E tá tudo bem. É um filme do He-Man, ora bolas. Então, para você aproveitar bem o filme, não espere mais do que isso.
O filme entra em cartaz em todo o país nesta quinta-feira (4). Ahhh, importantíssimo: se você, assim como eu, era aquela criança nos anos 80 e 90 que assistia He-Man, veja a cópia DUBLADA!!! E não só por termos Garcia Jr. voltando ao personagem que o consagrou, mas também por algumas surpresas que aparecem aqui ou ali. Em tempo, não saia da sala de cinema até TODOS os créditos terminarem, pois Mestres do Universo tem três cenas extras, com destaque absoluto para a segunda: de arrepiar!
Mestres do Universo é, no final das contas, um grande acerto e que, se as bilheterias ajudarem e tivermos sequência na franquia, ainda vai melhorar, e muito! Bom filme!
NOTA: 8,0


