RESIDENT EVIL (2026)
Novo reboot da famosa franquia de games no cinema inova na história, acerta no clima e no ritmo, e mostra que fazer o simples em adaptações saem melhor que a encomenda
A mais famosa franquia de games de terror da produtora Capcom, nascida lá pelos idos de 1996, no PlayStation e no Saturn, é, até hoje, uma das mais jogadas e aclamadas por gamers de todo o mundo, atravessando gerações, tanto de jogadores quanto de consoles, e vive no imaginário da cultura pop desde então. Com todo esse sucesso, obviamente que uma adaptação para o cinema entrou no radar, e ganhou vida em 2002, com Resident Evil – O Hóspede Maldito, tendo Milla Jovovich como Alice, uma protagonista criada especialmente para os filmes, e que estrelou cinco sequências, que, para frustração dos fãs, priorizaram a aventura em lugar do terror.

Após essa primeira empreitada, várias animações, em longa e curta-metragem, e até uma insossa série, foram produzidas, e é melhor nem considerarmos. Em 2021, um primeiro reboot para o cinema chegou às telas, com Resident Evil – Bem-Vindo a Raccon City, que até se aproximou um pouco mais dos games, mas ainda ficou longe daquilo que os jogos sempre proporcionaram.
E eis que chegamos a este Resident Evil (Sony/Columbia, EUA/2026), um segundo reinício para a saga na tela grande, e que gerou desconfiança dos fãs quando suas primeiras informações começaram a ser divulgadas, uma vez que não vemos aqui nenhum dos personagens dos jogos. Ou seja, perca as esperanças de ver nesta produção carinhas conhecidas como os irmãos Chris e Claire Redfield, a bela Jill Valentine, o corajoso Leon S. Kennedy ou a enigmática Ada Wong. Não, nada deles, nenhuma menção sequer. O que temos, na verdade, é uma trama das mais simples. Bryan, vivido por Austin Abrams, é um entregador de medicamentos, órgãos e outros itens médicos entre clínicas e hospitais. Em meio a uma tempestade de neve, ele se vê com uma misteriosa encomenda que deve ser levada ao hospital de Racoon City. No caminho, um acidente acaba por revelar um pesadelo sem precedentes, e que pode custar sua vida.
A opção do diretor e corroteirista Zach Cregger, conhecido pelos excelentes Noites Brutais e A Hora do Mal, em mudar o cerne principal da obra da Capcom, em um primeiro momento, pode fazer o fã da franquia torcer o nariz e querer passar longe do filme. Mas devo dizer, como um desses fãs, que você, caro amigo leitor, deve dar uma chance à produção.
Sim, não temos nenhum dos nossos queridos personagens. Sim, nem mesmo as criaturas que estamos acostumados a enfrentar aparecem. No entanto, temos sim, aqui, um legítimo Resident Evil. O clima, as referências a diversos elementos dos games, a própria forma de evolução da história, seus cenários, as armas, enfim, até mesmo os movimentos de Bryan e a forma como são mostrados, com uma escolha de enquadramento bastante interessante e bem-feito, sim, remete muito ao nosso amado jogo.
O ritmo da produção é muito intenso, com alguns momentos em que você vai se pegar “falando” com Bryan, mandando ele correr, ou ficar quieto, ou ir por um lugar, evitar outro. Com uma fotografia escura, em sua maior parte, o clima de medo se instaura durante toda a produção, o que não impede que alguns momentos de alívio cômico, mais restritos ao texto, aconteçam. Nada exagerado, pelo contrário, porém bem encaixados e usados no tom certo. Aliado a tudo isso, temos um design de som bem colocado, com o silêncio e a quase ausência de trilha compondo muito bem a ambientação proposta pelo diretor, e que, sim, nos faz lembrar dos jogos.
Por tudo isso, Resident Evil mostra que, após diversas e diversas invencionices dentro deste universo, finalmente posso afirmar que, por mais paradoxal que pareça, foi só mesclar a inovação total com o clima que existe nos jogos, com um roteiro simples e que prendem o espectador do início ao fim, mesmo que não tenhamos quase nada do jogo, e temos a melhor adaptação do game no live action e que, graças a seu final em aberto, deve gerar continuações. Ou não, uma vez que, se pensarmos bem, esta história poderia muito bem ter ocorrido antes dos acontecimentos que vimos no primeiro jogo, que serviria, desta forma, ele próprio como a sequência natural deste longa.
Resident Evil estreia nos cinemas brasileiros em 17 de setembro de 2026. Bom filme!
NOTA: 8,5


